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por juliana gusman
Blog de cinema e artes


"Se eu tivesse pernas, eu te chutaria": anotações sobre uma ressaca fílmica
A Linda de Rose Byrne é uma anti-Ofélia. Bem que ela tenta se afogar para escapar do aprisionamento discursivo e material que lhe confina ao posto amargo (e exaustivo) de mãe ruim. A personagem shakespeariana atira-se em um rio por não encontrar, para seus anseios latentes, “lugar ou palavra”, como diria Maria Rita Kehl. A personagem bronsteiniana, por sua vez, choca-se inutilmente contra as ondas bravas da maré noturna, mas até elas, após sucessivas demonstrações de desprezo
Juliana Gusman
6 de jan.3 min de leitura


Quebrando espelhos: prostituição e monstruosidades feministas no cinema de Marleen Gorris
*Texto originalmente escrito para o XXVIII Encontro da Socine, em Belém, Pará. Há cinquenta anos, Jeanne Dielman cravava uma tesoura na garganta de um cliente preservando o mesmo compasso brando com o qual, segundos antes, abotoava sua blusa. Do ângulo de um espelho, vê-se o golpe fatal que interrompe tanto o deleite masculino pós-orgasmo, quanto o fluxo ontológico entre a dona de casa e prostituta – o díptico antagônico personificado por Delphine Seyrig, que est
Juliana Gusman
6 de jan.10 min de leitura


Deitar e rolar com "Os homens que eu tive"
*Este texto foi lido na sessão comentada de Os homens que eu tive (1973), de Tereza Trautman, promovida pela plataforma Sara y Rosa em parceria com o Cine Santa Tereza, de Belo Horizonte, em setembro de 2025. A sessão foi dedicada à diretora. Ouça este texto no Spotify. Teresa e Tereza Começo este texto evocando outro filme, que tem assombrado, recorrentemente, os meus primeiros parágrafos: o incontornável Jeanne Dielman , de Chantal Akerman, relançado nas salas de cinema
Juliana Gusman
6 de jan.11 min de leitura


A língua das meninas raivosas: "Baise-moi" (2000)
Com o vômito da menina monstruosa que, em O exorcista (William Friedkin, 1973), encarna os assombros masculinos, a escritora e cineasta Virginie Despentes batiza sua obra-prima – assim como Regan, um pequeno diabo duplicado, no formato de livro e filme.
Juliana Gusman
30 de ago. de 202510 min de leitura

Sou Juliana Gusman e atuo como pesquisadora, professora, produtora, curadora, programadora e crítica de cinema.
No BOCA, reúno palavras sopradas e espalhadas por aí.
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