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por juliana gusman

Blog de cinema e artes


"Pai Mãe Irmã e Irmão" (2025): a farsa libertária e uma aposta na mentira
O novo filme de Jim Jarmusch, Pai Mãe Irmã Irmão (2025), tem estrutura e tom de crônica: a trama cotidiana se contamina com a sujeira familiar e com a poeira fina de hipocrisias inutilmente varridas para debaixo dos tapetes metafóricos das nossas convenções. São três episódios a princípio independentes, que também se infectam entre si de maneiras insuspeitas. No primeiro ato, o diretor introduz tanto o andamento moroso e os silêncios intervalares das intimidades puídas – su

Juliana Gusman
há 2 dias3 min de leitura


Sessão Cineclube Ibero-americano Permanente: as pequenas revoluções diárias das senhoras de ninguém
A censura perpetrada pelo regime repressor na Argentina dos anos 1970 privou Leonor Vitali, personagem de Luisina Brando em Señora de Nadie (1982), de alguns excessos. Maria Luísa Bemberg teve que readequar o primeiro roteiro que ousou filmar, no cume dos seus cinquenta anos, para preservar a impertinência da dona de casa que se confronta com o cinismo insustentável da família burguesa. Retomando-o após o seu engavetamento compulsório de meia década e de uma outra estreia em

Juliana Gusman
há 2 dias5 min de leitura


Sessão Cineclube Ibero-americano Permanente: mulheres da rua, contrabandistas do cinema
Eu retomo a escrita deste material depois de um intervalo de nove dias. Estive na Mostra de Cinema de Tiradentes, uma espécie de vórtex sensorial que não nos permite devaneios externos. Mas, em um evento em que se conjurou tantas forças espectrais – do fantasma da ópera de Júlio Bressane à aparição feminina encarnada por Lorena Zanetti no novo filme de Lincoln Péricles – o espírito de Matilde Landeta pairou denso nas vésperas do vigésimo sétimo aniversário de sua morte, també

Juliana Gusman
há 2 dias11 min de leitura


29ª Mostra de Tiradentes – Devaneios da madrugada: notas soltas sobre a crise dos homens
Tiradentes, Janeiro de 2026. Acordo de madrugada com o casal do quarto ao lado discutindo acaloradamente sobre o ar condicionado, para seguir a uma trepada morna. A garota se contém, enquanto o rapaz emite murmúrios de autocongratulação. Entre os intervalos das rangidas ágeis de uma cama velha, ele solta palavrões para entumecer a própria macheza. Lembro-me de três filmes vistos nesta semana em Tiradentes e, contra a natureza sagrada do meu sono e a esbórnia profana da noit

Juliana Gusman
há 2 dias3 min de leitura


29ª Mostra de Tiradentes - Agora que sei, não consigo esquecer: uma folha de diário sobre o filme de Denise Vieira
Tiradentes, Janeiro de 2026 Apaguei de novo a primeira linha deste texto, que renasce mais de 50 vezes como dona Margô. O nome afrancesado dessa puta-velha me lembra que todo gozo é uma espécie de pequena morte. Soterrada pela atmosfera ácida, ansiolítica e carnavalesca de um festival de cinema, ainda tento achar o meu caminho de volta. I. Retomar ao carril de uma filmografia que me é familiar – para sair do prumo de novo Mulheres da Boca (1981), documentário de tintas mili

Juliana Gusman
há 2 dias5 min de leitura

Sou Juliana Gusman e atuo como pesquisadora, professora, produtora, curadora, programadora e crítica de cinema.
No BOCA, reúno palavras sopradas e espalhadas por aí.
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